A ascensão dos wearables de varredura cerebral: o plano da Neurable para expandir a tecnologia BCI

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Na próxima vez que você colocar fones de ouvido, eles poderão estar fazendo muito mais do que tocar música – eles poderão estar lendo sua mente.

A startup Neurable com sede em Boston anunciou uma grande mudança estratégica. Em vez de apenas fabricar seu próprio hardware, a empresa está migrando para um modelo de licenciamento. Ao certificar fabricantes terceirizados, a Neurable pretende incorporar sua tecnologia não invasiva de varredura cerebral em uma ampla gama de produtos eletrônicos de consumo, desde fones de ouvido para jogos até óculos inteligentes.

Do hardware de nicho à tecnologia onipresente

Até agora, a presença da Neurable no mercado tem sido definida por produtos específicos, como os seus auscultadores topo de gama desenvolvidos em conjunto com a Master & Dynamic. Esses dispositivos usam sensores de eletroencefalografia (EEG) para monitorar ondas cerebrais, fornecendo aos usuários informações sobre:
Prontidão cognitiva e fadiga mental.
Idade do cérebro e métricas de recuperação.
Resiliência à ansiedade e níveis de estresse.

O objetivo é levar os usuários a “quebras cerebrais” para evitar o esgotamento e maximizar a produtividade. No entanto, a empresa agora está olhando muito além do áudio premium.

A primeira grande onda dessa expansão já está chegando através do HyperX, uma marca de jogos de propriedade da HP. Seu novo fone de ouvido utiliza a tecnologia Neurable para ajudar os atletas de esportes eletrônicos a otimizar seu estado mental. De acordo com Ramses Alcaide, CEO da Neurable, os primeiros dados sugerem que a tecnologia pode levar a um melhor desempenho, incluindo tempos de resposta mais rápidos e maior precisão em jogos de apostas altas.

Por que isso é importante: o “momento Fitbit” para o cérebro

A transição de ferramentas médicas especializadas para dispositivos de consumo diário é uma tendência significativa no setor de Interface Cérebro-Computador (BCI). Neurable está tentando replicar o “efeito Fitbit”: antigamente, usar um dispositivo que monitorava sua frequência cardíaca parecia futurista e estranho; hoje, é uma expectativa padrão do consumidor.

Ao tornar sua tecnologia “agnóstica de hardware”, a Neurable está se posicionando para ser o mecanismo invisível interno:
Fones de ouvido para jogos para otimização de desempenho.
Óculos e chapéus inteligentes para monitoramento cognitivo diário.
Capacetes para monitoramento de segurança e saúde.
Equipamento militar (a empresa já possui um contrato com o Departamento de Defesa dos EUA para monitorar sobrepressão de explosão e lesões cerebrais traumáticas).

O desafio da privacidade: dados na nuvem

Tal como acontece com qualquer tecnologia que intercepta sinais biológicos, a privacidade é a preocupação mais premente. Como a tecnologia do Neurable requer processamento pesado, os dados do usuário são enviados para os servidores do Neurable.

Para lidar com possíveis reações adversas, a empresa implementou várias salvaguardas:
Separação de dados: Os identificadores do usuário são mantidos separados dos dados biológicos.
Proteção Centralizada: Enquanto marcas parceiras (como HyperX) gerenciam a interface do usuário, a Neurable mantém o controle sobre o tratamento de dados subjacente e os protocolos de privacidade.
Estrutura Ética: Alcaide enfatiza que o modelo de negócios da empresa não se baseia na venda de dados de usuários, embora a indústria provavelmente enfrente um escrutínio intenso à medida que esses dispositivos se tornarem mais comuns.

O cenário competitivo

Neurable não está sozinho nesta corrida para decodificar o pensamento humano. O mercado BCI está se diversificando rapidamente com players como:
Elemind, com foco em EEG para qualidade do sono.
Sabi, trabalhando em interfaces pensadas em texto.
Apple, que já registrou patentes para AirPods com detecção de EEG.

“Sempre que há uma nova transição para a tecnologia, sempre haverá alguma ansiedade”, afirma Alcaide. “Temos tido muito cuidado… Estamos protegendo os dados, sendo o mais éticos possível.”


Conclusão
A mudança da Neurable para um modelo de licenciamento marca uma mudança de fabricante de hardware para se tornar uma camada de software fundamental para a indústria de detecção cerebral. Se forem bem-sucedidas, as métricas de monitoramento cerebral poderão em breve se tornar tão rotineiras quanto o rastreamento de passos em um smartwatch.